El Niño atinge forte intensidade e aumenta alerta para eventos climáticos extremos no Sul do Brasil

O fenômeno El Niño segue se intensificando rapidamente e já alcançou forte intensidade pelos dois principais critérios de monitoramento utilizados pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA). A informação foi divulgada nesta semana e reforça o cenário de maior atenção para eventos climáticos extremos, especialmente na Região Sul do Brasil.
De acordo com dados analisados pela MetSul Meteorologia, o tradicional Índice Oceânico Niño (ONI) aponta uma anomalia de +2,3°C na temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Oceano Pacífico Equatorial. O valor já enquadra o fenômeno na categoria de Super El Niño, considerada de intensidade muito forte.
Ao mesmo tempo, o novo Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), adotado recentemente pela NOAA, registrou +1,5°C, classificação que representa o limite mínimo para um El Niño de forte intensidade.
Intensificação ocorre de forma inédita
Especialistas destacam que nunca, nos registros modernos, um El Niño atingiu intensidade tão elevada tão cedo no ano.
Nos grandes episódios registrados anteriormente, como os de 1982-1983, 1997-1998, 2015-2016 e 2023-2024, o patamar de Super El Niño só foi alcançado entre setembro e novembro. Em 2026, porém, esse nível foi atingido ainda no início de julho, evidenciando uma evolução extremamente rápida do fenômeno.
O que muda com o novo índice?
Além do tradicional ONI, a NOAA passou a utilizar o RONI (Relative Oceanic Niño Index), que busca eliminar parte da influência do aquecimento global sobre a temperatura dos oceanos.
Enquanto o ONI compara as temperaturas atuais com médias históricas de décadas passadas, o RONI considera também o aquecimento observado nos demais oceanos tropicais, oferecendo uma análise considerada mais precisa da intensidade real do El Niño.
Na prática, isso significa que um mesmo evento pode apresentar classificações diferentes em cada índice.
Quais os impactos esperados no Brasil?
Embora nenhum episódio de El Niño seja exatamente igual ao outro, os meteorologistas afirmam que os efeitos devem se tornar mais evidentes durante o segundo semestre, principalmente entre o final do inverno e a primavera.
Para o Rio Grande do Sul e os demais estados da Região Sul, o histórico mostra aumento na frequência de:
- Chuvas acima da média;
- Temporais mais intensos;
- Episódios de granizo;
- Ventos fortes;
- Maior risco de enchentes e cheias dos rios;
- Formação de ciclones com maior frequência.
Além disso, as temperaturas tendem a permanecer acima da média na maior parte do período, apesar da possibilidade de incursões ocasionais de ar frio.
Atenção, mas sem alarmismo
Apesar da intensificação do fenômeno, especialistas ressaltam que o El Niño não determina sozinho como será o clima. Outros fatores atmosféricos também influenciam a ocorrência e a intensidade dos eventos extremos.
Ainda assim, o cenário exige monitoramento constante, principalmente no Rio Grande do Sul, estado que historicamente costuma registrar os impactos mais significativos durante episódios fortes do fenômeno.
A recomendação é acompanhar os avisos dos órgãos oficiais de meteorologia e da Defesa Civil, especialmente diante da previsão de aumento na frequência de temporais e de volumes elevados de chuva ao longo dos próximos meses.