Prefeitos do Vale do Paranhana unem forças e debatem impacto da concessão de rodovias em reunião estratégica
Prefeitos do Vale do Paranhana unem forças em Rolante contra o atual modelo de pedágios

Na manhã desta quinta-feira, 09 de julho de 2026, o Colégio Sagrada Família, em Rolante, foi palco de uma reunião de extrema importância para o futuro da mobilidade e do desenvolvimento econômico regional. O encontro, realizado às 9h, reuniu os prefeitos dos municípios de Rolante, Igrejinha, Taquara, Três Coroas, Parobé e Riozinho para alinhar posicionamentos diante de temas que afetam diretamente a comunidade local.
O ponto central da pauta foi a Concessão de Rodovias (Bloco 1), projeto que tem gerado intensas discussões entre o setor produtivo e o Poder Público.

O que significa a pauta da concessão para a região?
A proposta estadual representa uma mudança profunda na gestão viária do Vale do Paranhana. O modelo de concessão visa a instalação de pórticos free flow (cobrança automática por quilômetro rodado) em diversas rodovias, incluindo as ERS-020, 115 e 239. Para os gestores municipais, o debate vai além da técnica: trata-se de uma questão de justiça social e sobrevivência econômica.

Entendendo a polêmica dos pedágios: O que você precisa saber

Para quem está acompanhando as notícias sobre a possível instalação de novos pedágios (free flow) na nossa região, pode parecer uma confusão de nomes e siglas. De forma simples: o Governo do Estado quer entregar a administração de várias rodovias (como a RS-239) para empresas privadas. Em troca, essas empresas fariam obras (como duplicações e viadutos) e, para se pagarem, cobrariam pedágios automáticos de quem passa por ali, cobrando por cada quilômetro rodado.
A grande briga dos nossos prefeitos é que a região acredita que essa conta não deve sobrar para o bolso do trabalhador e dos moradores que precisam usar a estrada todos os dias. O argumento principal é que o Estado já tem verba (o fundo FUNRIGS) que deveria ser usada justamente para reconstruir e melhorar essas estradas sem precisar criar novos pedágios.

Sobre a responsabilidade de tudo isso, o comentarista Josafá Nunes esclarece a realidade política da situação:
“A concessão do pedágio compete ao governo do estado, então ela não é uma medida em que os municípios tenham alguma autonomia para tomar decisões na implementação. Portanto, é uma decisão do Governo do Estado decidir se vai implementar ou não e quais serão as taxas que devem ser aplicadas. Em resumo: o poder final sobre o valor e a instalação não está nas mãos dos prefeitos, mas sim no Palácio Piratini.”
Os prefeitos estão se unindo para pressionar o Estado a usar o dinheiro público que já existe para fazer as obras, tentando evitar que a população tenha que pagar pedágio para transitar entre cidades vizinhas. É uma disputa de quem paga a conta pelo desenvolvimento das nossas estradas.

Em 2025 AMPARA divulga nota conjunta e convoca manifestação na ERS-239 no dia 20 de novembro
Confira a nota completa:
“A AMPARA – ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DO VALE DO PARANHANA – em conformidade com o sentimento popular de toda região e a necessidade de justiça, manifesta por meio deste sua veemente contrariedade ao projeto proposto pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul no que diz respeito a concessão de rodovias do denominado Bloco 1 e a instalação de novos pedágios nas rodovias ERS-020, ERS-040, ERS-115, ERS-118, ERS-235, ERS-239, ERS-466, ERS-474 e ERS-010.
É unânime o posicionamento desta associação no sentido que beira o absurdo a região ser taxada novamente por investimentos que hoje o Estado possui dinheiro para fazer, mas novamente quer repassar o custo a população.
O Impacto Econômico e Social que acachapará nossa região com a instalação de 23 pórticos de pedágio no modelo free flow com a tarifa no valor de R$ 0,21 (vinte e um centavos) por km rodado, prejudicará a indústria, o turismo, o comércio local e, principalmente, os moradores e trabalhadores que precisam se deslocar diariamente entre cidades vizinhas, aumentando significativamente seus custos em todos os sentidos.
Outro ponto que causa profunda revolta é a não inclusão da ERS 118 na modalidade, ou seja, o trecho que perpassa os municípios de Sapucaia do Sul, Gravataí e Viamão não será taxado, portanto, o Vale do Paranhana, Sinos e Serra pagarão essa conta conforme projeto proposto pelo governo do Estado.

O contrassenso no modelo de concessão proposto pelo atual governador é de tamanha revolta e indignação, haja vista que prevê o aporte de 1,5 bilhão de reais de recursos do FUNRIGS (fundo público especial para reconstrução do Estado do RS) para realização de obras de duplicação, acessos a municípios e viadutos, porém, com cobranças diárias de todas as pessoas que transitarem pelas rodovias.
Ademais, é de extrema importância também que sejam fornecidas informações básicas para análise e discussão com tempo hábil, tais como, planilha contendo os custos operacionais, valores das obras, valores previstos para manutenção de cada rodovia, detalhamento do fluxo de veículos de cada rodovia e demais informações.
O Vale do Paranhana ainda está se recuperando dos constantes danos provocados pelas enchentes que afetaram negativamente todas as áreas da nossa região, portanto, é justo que os investimentos para as melhoras das nossas rodovias sejam feitos com recursos governamentais (FUNRIGS), fundo este criado para isso e com recursos para execução das obras que necessitamos nas nossas estradas.
Por fim, CONVOCAMOS A TODOS interessados para participar no dia 20 de novembro de um movimento de contrariedade aos novos pedágios que será realizado as 09:30 horas, na ERS 239, em Taquara (em frente ao antigo supermercado Nacional).
NÃO VAMOS ACEITAR PAGAR MAIS ESSA CONTA!
NÃO AOS NOVOS PEDÁGIOS!
SIM A INVESTIMENTOS COM RECURSOS DO FUNRIGS!”

O caminho adiante
Diante deste cenário, a mobilização dos gestores do Vale do Paranhana não é apenas um ato de resistência, mas um chamado à responsabilidade compartilhada. Ao reafirmarem que a proposta atual não conta com o apoio dos municípios, os prefeitos consolidam a voz de uma região que exige ser ouvida antes que qualquer decisão definitiva seja tomada. A luta agora segue para as esferas estaduais, com o compromisso inegociável de que o desenvolvimento da nossa infraestrutura deve caminhar lado a lado com a justiça social, garantindo que o progresso não custe o bem-estar de quem faz a economia da nossa região girar todos os dias.
