Ibovespa fecha em queda com tensão entre EUA e Irã; dólar recua para R$ 5,14
Conflito no Oriente Médio e incertezas sobre a economia dos Estados Unidos aumentam a cautela dos investidores e impulsionam o preço do petróleo

O mercado financeiro brasileiro encerrou esta quarta-feira (8) em queda, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio e as preocupações com os rumos da economia norte-americana. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, caiu 0,79%, fechando aos 170.653,45 pontos, enquanto o dólar recuou e encerrou o dia cotado a R$ 5,14.

O cenário internacional voltou a pressionar os mercados após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o acordo provisório de cessar-fogo com o Irã “está acabado”. A afirmação ocorreu após novos ataques iranianos contra bases militares americanas no Golfo, seguidos por uma resposta militar dos EUA.
Durante uma reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Trump classificou a liderança iraniana com duras críticas e afirmou que considera inúteis novas negociações nas atuais circunstâncias. Mais tarde, no entanto, adotou um discurso menos contundente, dizendo não acreditar que o confronto evolua para uma guerra em grande escala.
Investidores acompanham conflito com preocupação
O temor de uma escalada militar voltou a elevar a aversão ao risco nos mercados globais. Analistas avaliam que a principal preocupação é o tempo de duração do conflito e os possíveis impactos sobre a infraestrutura petrolífera da região.
Caso ocorram novos ataques que afetem a produção ou o transporte de petróleo, especialmente pelo estratégico Estreito de Ormuz, os efeitos poderão ser sentidos na economia mundial, pressionando os preços da energia e aumentando a inflação em diversos países.
Bolsas americanas também tiveram desempenho misto
Nos Estados Unidos, os principais índices apresentaram comportamento diferente ao longo do pregão.
O Dow Jones caiu 1,09%, enquanto o S&P 500 recuou 0,28%. Já o Nasdaq conseguiu encerrar em leve alta de 0,20%, sustentado principalmente pelo desempenho das empresas ligadas ao setor de tecnologia.
Entre os destaques positivos estiveram fabricantes de chips para inteligência artificial, beneficiadas por anúncios envolvendo grandes empresas do setor tecnológico.

Petróleo dispara com risco para oferta mundial
O petróleo foi um dos ativos mais impactados pelo aumento das tensões.
O barril do WTI avançou 4,37%, encerrando o dia cotado a US$ 73,52. Já o Brent, referência internacional, subiu 5,20%, fechando a US$ 78,02, atingindo o maior nível desde o fim de junho.
Os investidores temem que uma eventual interrupção no transporte de petróleo pelo Oriente Médio provoque redução da oferta global, elevando ainda mais os preços da commodity.
O próprio presidente Donald Trump afirmou que, caso novos ataques contra o Irã ocorram, a tendência é de continuidade da alta nos preços do petróleo.
Reflexos podem chegar ao Brasil
Embora o mercado brasileiro tenha sido afetado principalmente pelo cenário externo, especialistas destacam que a valorização do petróleo pode ter impactos diretos sobre a economia nacional.
Entre os possíveis efeitos estão o aumento dos custos dos combustíveis, maior pressão sobre a inflação e reflexos em diversos setores da economia, desde o transporte até os preços de produtos e serviços.
Enquanto isso, investidores seguem atentos aos próximos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã, que continua sendo o principal fator de volatilidade nos mercados financeiros internacionais.
