El Niño pode entrar para a história como o mais intenso da era moderna e aumenta alerta para eventos extremos no Sul do Brasil
As projeções mais recentes dos principais modelos climáticos do mundo apontam que o fenômeno El Niño 2026/2027 pode atingir uma intensidade sem precedentes, tornando-se o mais forte da era moderna e superando os históricos eventos registrados em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016.
Segundo análise da MetSul Meteorologia, um Super El Niño já é considerado praticamente certo. Agora, cresce significativamente a possibilidade de que o fenômeno alcance um nível de aquecimento jamais observado nos últimos 150 anos, com anomalias da temperatura da superfície do Oceano Pacífico entre +3°C e +4°C, podendo chegar próximo dos +5°C em algumas simulações.

NOAA amplia escala dos gráficos diante das projeções extremas
As previsões são tão excepcionais que a agência meteorológica dos Estados Unidos, a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), precisou ampliar diversas vezes a escala dos gráficos utilizados pelo modelo climático CFS (Climate Forecast System).
A mudança ocorreu porque várias simulações passaram a indicar um aquecimento superior a 4°C, algo nunca registrado desde o início das medições modernas.
Especialistas destacam que esse tipo de ajuste nos gráficos é extremamente incomum e demonstra o quanto as projeções para este El Niño vêm sendo revisadas para níveis cada vez mais elevados.

Modelos climáticos reforçam possibilidade de um evento histórico
Levantamento do Berkeley Earth, baseado em 13 modelos climáticos internacionais, mostra um forte consenso entre os pesquisadores.
Dos modelos analisados:
- 11 indicam um Super El Niño;
- 7 projetam um evento mais intenso do que qualquer outro da era moderna.
Embora previsões de longo prazo sempre apresentem margem de incerteza, o elevado número de modelos apontando para o mesmo cenário aumenta a confiança dos meteorologistas de que o mundo poderá enfrentar um dos episódios mais fortes já observados.
O Pacífico continua acumulando calor
Outro fator que preocupa os especialistas é o comportamento do Oceano Pacífico.
Uma intensa onda de calor abaixo da superfície continua avançando para o leste do oceano, alimentada por fortes rajadas de ventos conhecidas como Westerly Wind Burst (WWB).
Esse enorme reservatório de água quente apresenta temperaturas de até 7°C acima da média, reduzindo a chegada de águas frias à superfície e favorecendo um aquecimento ainda maior nos próximos meses.
Além disso, praticamente todas as regiões monitoradas do Pacífico Equatorial registram temperaturas recordes para esta época do ano.

Fenômeno não significa automaticamente recordes de desastres
Apesar das projeções extremamente preocupantes, especialistas alertam que um El Niño recorde não significa, obrigatoriamente, que o Brasil viverá os maiores desastres climáticos de sua história.
Os impactos dependem também de diversos outros fatores, como:
- temperatura do Oceano Atlântico;
- correntes de jato;
- bloqueios atmosféricos;
- Oscilação Antártica (SAM);
- interação entre diferentes sistemas meteorológicos.
Cada episódio de El Niño possui características próprias e pode produzir efeitos bastante diferentes.
Sul do Brasil entra em período de maior preocupação
Mesmo com essas ressalvas, a MetSul Meteorologia reforça que o segundo semestre de 2026 apresenta um cenário de elevado risco para a Região Sul.
Entre os principais impactos esperados estão:
- episódios de chuva intensa e persistente;
- enchentes e cheias de rios;
- temporais frequentes;
- tempestades severas com granizo e ventos fortes;
- possibilidade de novos eventos climáticos extremos.
Segundo os meteorologistas, o risco começa a aumentar durante julho e agosto, mas o período considerado mais crítico deverá ocorrer entre setembro e dezembro, quando os efeitos do El Niño tendem a atingir seu auge.

Vale do Paranhana também deve acompanhar com atenção
Para municípios como Rolante, Riozinho, Taquara, Igrejinha e demais cidades do Vale do Paranhana, a previsão serve como um importante alerta para o acompanhamento constante das atualizações meteorológicas.
A região já sofreu impactos significativos em episódios anteriores de chuva extrema, tornando fundamental a preparação preventiva por parte das autoridades e da população caso as projeções se confirmem.
Embora ainda seja cedo para determinar exatamente onde ocorrerão os maiores impactos, o consenso entre os modelos internacionais indica que os próximos meses exigirão atenção redobrada em todo o Sul do Brasil.
O Jornal Rolante seguirá acompanhando as atualizações dos institutos meteorológicos e informando a população sobre qualquer mudança nas previsões.