Líder da facção Bala na Cara fugiu pela porta da frente de presídio no RS; policial penal é preso suspeito de facilitar ação
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta quarta-feira, a Operação Rota de Fuga e prendeu preventivamente um policial penal suspeito de participar da fuga de William Ramos Silveira, conhecido como “Will”, apontado como uma das principais lideranças da facção criminosa Bala na Cara.
A investigação é conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) e revelou um esquema que teria permitido que o criminoso deixasse a Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC) pela porta da frente, utilizando documentação falsificada.
Segundo a Polícia Civil, a fuga ocorreu no dia 21 de maio, mas só foi descoberta em 2 de junho. Durante esse período, William permaneceu 12 dias fora da unidade prisional sem que a ausência fosse identificada oficialmente.

O policial penal preso é Rudcrei da Costa Machado. Conforme as investigações, ele trabalhava no INFOPEN, setor responsável pelo recebimento e controle dos alvarás de soltura, e teria sido responsável por produzir documentos falsos que permitiram a saída irregular do detento.
Além da suposta falsificação, o servidor também é acusado de manipular registros internos do sistema prisional para ocultar a fuga. De acordo com o diretor do Dercap, delegado Cassiano Cabral, após a saída do criminoso, foram inseridas movimentações falsas no sistema, como registros de deslocamentos para atendimento hospitalar e outras ocorrências, numa tentativa de eliminar qualquer vestígio da fuga.
William Ramos Silveira possui uma extensa ficha criminal. Conforme a Polícia Civil, ele é investigado por participação em mais de dez homicídios e possui antecedentes por tráfico de drogas, organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo. Ainda restavam mais de 34 anos de pena a cumprir.
As autoridades também apontam que Will desempenhava um papel estratégico dentro da facção Bala na Cara, sendo considerado um dos principais executores, além de atuar na gestão financeira e na logística de armamentos do grupo criminoso, com forte atuação nas cidades de Cachoeirinha e Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Mesmo após a deflagração da operação e a prisão do policial penal suspeito de envolvimento no caso, William Ramos Silveira continua foragido. A Polícia Civil segue realizando diligências para localizar o criminoso e identificar outros possíveis envolvidos na fraude que possibilitou sua fuga.
O caso reacende o debate sobre a segurança do sistema prisional gaúcho e os mecanismos de controle interno, especialmente em setores responsáveis pela emissão e conferência de documentos de soltura.