Operação Reciclagem investiga fraude em contratos de coleta de lixo em 15 prefeituras do RS, incluindo Rolante
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), a Operação Reciclagem, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e contratos públicos relacionados à coleta e destinação de resíduos sólidos em pelo menos 15 municípios gaúchos, entre eles o município de Rolante.
A investigação é conduzida pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, sob responsabilidade do promotor de Justiça Mauro Rockenbach. Conforme o MPRS, o grupo investigado era formado por nove pessoas, organizadas em um núcleo familiar e empresarial, que utilizavam empresas interligadas para simular concorrência em licitações e garantir contratos com o poder público.
Além da suposta fraude nos processos licitatórios, as investigações apontam irregularidades na execução dos contratos, com cobranças indevidas e serviços que, em alguns casos, não teriam sido realizados, causando prejuízos aos cofres públicos e comprometendo um serviço considerado essencial para a população.
Mandados cumpridos
Durante a operação, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais em residências e sedes de empresas ligadas ao grupo nas cidades de:
- Torres;
- Porto Alegre;
- Santo Antônio da Patrulha;
- Rosário do Sul;
- Vacaria;
- Taquara;
- Arroio do Sal;
- Bom Jesus.
As ações contaram com o apoio de agentes das Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor e do Patrimônio Público, do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Rio Grande do Sul (CIRA-RS) e da Brigada Militar.
O Ministério Público informou que não foram cumpridos mandados de busca nas sedes das prefeituras investigadas e que os valores envolvidos no esquema ainda estão sendo apurados.
Municípios sob investigação
As licitações e contratos investigados envolvem as prefeituras de:
- Rosário do Sul;
- Santo Antônio da Patrulha;
- Torres;
- Rolante;
- Terra de Areia;
- Bom Jesus;
- Nova Santa Rita;
- Caraá;
- São Leopoldo;
- Três Forquilhas;
- Bom Princípio;
- Novo Hamburgo;
- Silveira Martins;
- Nova Hartz;
- Xangri-Lá.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, a organização criminosa atuava em diversas etapas para garantir os contratos públicos:
- Criação de situações emergenciais para justificar dispensas de licitação;
- Simulação de concorrência entre empresas do mesmo grupo;
- Manipulação de medições e cobranças em duplicidade, conhecidas como “pesagens duplas”;
- Registro de serviços que não teriam sido executados;
- Uso de empresas de fachada e de “laranjas” para ocultar os verdadeiros controladores;
- Movimentação financeira suspeita para disfarçar pagamentos indevidos e possíveis vantagens a agentes públicos.
Quem são os investigados
De acordo com o Ministério Público, os nove investigados desempenhavam funções específicas dentro da estrutura criminosa, incluindo:
- Um empresário apontado como líder do esquema;
- Empresárias do núcleo familiar, responsáveis formalmente por empresas e cooperativas;
- Empresários que participavam da simulação de concorrência;
- Pessoas utilizadas como “laranjas”;
- Responsáveis técnicos pela elaboração de orçamentos e propostas;
- Uma ex-agente pública, suspeita de atuar no direcionamento de contratações em uma das prefeituras e posteriormente prestar serviços às empresas investigadas.
As investigações seguem em andamento e o Ministério Público não descarta novas diligências e responsabilizações nos próximos dias.
Fontes: RBS TV