ITAMARATY CONVOCA EMBAIXADOR DA ARGENTINA APÓS FALAS DE JAVIER MILEI EM EVENTO DO PL
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) convocou, na tarde deste domingo (26), o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as declarações feitas pelo presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no sábado (25), em São Paulo.

Em nota oficial, o Itamaraty informou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, transmitiu a “repulsa” do governo brasileiro em relação às falas de Milei e classificou o episódio como “especialmente lamentável”. Segundo o ministério, não há precedentes de um chefe de Estado estrangeiro realizar, em território brasileiro, ataques ao presidente da República, às instituições democráticas, ao Poder Judiciário e ao povo brasileiro.
A pasta destacou ainda que Brasil e Argentina mantêm mais de dois séculos de relações diplomáticas e que o país vizinho é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, reforçando a gravidade atribuída ao episódio.
Durante a reunião, Mauro Vieira também solicitou explicações formais sobre a conduta do presidente argentino durante sua visita ao Brasil. A convocação de um embaixador é um instrumento diplomático utilizado para demonstrar insatisfação e exigir esclarecimentos diante de atos considerados inadequados nas relações entre os países.
No mesmo dia, o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, foi chamado a Brasília para consultas. A medida é considerada uma sinalização diplomática mais firme e serve para que o governo brasileiro avalie os desdobramentos do episódio e discuta os próximos passos na relação bilateral.
O discurso de Milei
Javier Milei participou da convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Durante seu discurso, fez críticas ao socialismo, afirmou que a América do Sul vive uma mudança política em direção ao liberalismo e declarou que o Brasil poderia seguir esse mesmo caminho.
O presidente argentino também criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, chamando-o de “lixo careca” após ter sido impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Milei afirmou que a negativa da visita seria uma demonstração de injustiça contra Bolsonaro e comparou a situação ao período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso, quando recebeu visitas de líderes estrangeiros, incluindo o então presidente da Argentina, Alberto Fernández.
As declarações repercutiram no meio político e provocaram uma resposta oficial do governo brasileiro, elevando a tensão diplomática entre os dois países.