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Microexplosão pode ter causado destruição em Eldorado do Sul durante forte temporal, aponta MetSul

Vento deixou destruição em Eldorado do Sul | Foto: Stefan Pereira

Uma microexplosão atmosférica, também conhecida como downburst, é a principal hipótese para explicar os graves estragos registrados em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, durante o temporal que atingiu o município na madrugada deste sábado (11). A avaliação é da MetSul Meteorologia, que analisou as características da tempestade e o padrão de destruição observado na cidade.

O fenômeno ocorreu por volta das 6h da manhã, quando uma intensa linha de tempestades avançou sobre a região. O temporal começou com rajadas extremamente fortes de vento e, na sequência, foi acompanhado por uma intensa chuva de granizo que durou entre oito e nove minutos, agravando ainda mais os danos.

Danos estruturais em Eldorado do Sul | FABIANO DO AMARAL/CORREIO DO POVO

Mais de 400 pessoas ficaram desalojadas

Segundo a Defesa Civil, cerca de 130 residências foram destelhadas, deixando mais de 400 moradores desalojados e 10 famílias desabrigadas. O levantamento dos prejuízos segue em andamento e o número de imóveis atingidos ainda pode aumentar.

Os bairros Parque Eldorado e Apolônio de Carvalho concentraram os maiores estragos. Em diversas ruas, telhados foram completamente arrancados, árvores de grande porte tombaram sobre casas e vias públicas, além de danos significativos à rede elétrica, provocando falta de energia em diferentes pontos do município.

Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Prefeitura atuam desde as primeiras horas do dia na distribuição de lonas, atendimento às famílias afetadas e avaliação dos danos. O município também iniciou os procedimentos para decretar situação de emergência, medida que permitirá agilizar a liberação de recursos estaduais para assistência e reconstrução.

Vento chegou a quebrar postes de concreto e causou muitos destelhamentos | FABIANO DO AMARAL/CORREIO DO POVO

Danos indicam ocorrência de uma microexplosão

De acordo com a MetSul Meteorologia, o padrão dos danos é compatível com uma microexplosão atmosférica, fenômeno caracterizado por uma poderosa corrente de ar que desce da tempestade e, ao atingir o solo, espalha ventos em todas as direções.

Esse comportamento diferencia o fenômeno de um tornado. Enquanto os tornados apresentam ventos giratórios que convergem para um eixo central, as microexplosões produzem um padrão de destruição divergente, com árvores, postes e estruturas caindo em diferentes direções a partir do ponto de impacto.

Os prejuízos registrados em Eldorado do Sul, incluindo o colapso parcial de edificações, destelhamentos generalizados e danos até mesmo em silos de armazenagem de grãos, reforçam a hipótese de que rajadas extremamente intensas atingiram uma área relativamente pequena do município.

Vento deixou destruição em Eldorado do Sul | Foto: Stefan Pereira

Ventos podem ultrapassar 200 km/h

As microexplosões estão entre os fenômenos mais destrutivos associados às tempestades severas. Em episódios mais intensos, as rajadas podem superar 150 km/h e, em casos extremos, ultrapassar 200 km/h.

Apesar de normalmente afetarem uma área inferior a quatro quilômetros de diâmetro, os danos costumam ser extremamente severos justamente pela concentração da força dos ventos em uma faixa relativamente pequena.

Essa característica também explica por que apenas parte de Eldorado do Sul sofreu destruição significativa, enquanto bairros próximos registraram apenas chuva intensa ou ventos de menor intensidade.

Como o fenômeno se formou

A tempestade foi provocada pela atuação de uma frente fria sobre o Rio Grande do Sul. Durante a madrugada, imagens de satélite mostravam nuvens de tempestade muito desenvolvidas sobre a região, com topos atingindo temperaturas próximas de -70°C, indicativo de forte atividade convectiva.

Segundo a MetSul, a instabilidade também foi intensificada por uma corrente de jato em baixos níveis da atmosfera, que transportava ar quente e úmido sobre a metade norte do Estado, criando condições ideais para a formação de nuvens do tipo Cumulonimbus, capazes de produzir granizo, raios, ventos destrutivos e, eventualmente, tornados.

MetSul

O que é uma microexplosão?

Uma microexplosão (microburst) ocorre quando uma poderosa corrente de ar frio desce rapidamente do interior de uma tempestade. Ao atingir o solo, esse ar se espalha horizontalmente em alta velocidade, gerando ventos extremamente fortes capazes de provocar destruição semelhante à causada por tornados de pequena e média intensidade.

Segundo o National Weather Service (NWS), dos Estados Unidos, esses fenômenos podem produzir danos tão severos quanto os de um tornado, embora possuam características diferentes.

Além da destruição em solo, os downbursts representam um dos maiores riscos para a aviação, especialmente durante pousos e decolagens. O caso mais conhecido ocorreu em 1985, quando o voo Delta 191 foi atingido por um microburst durante a aproximação para pouso em Dallas, provocando um acidente que matou 137 pessoas e impulsionou importantes avanços na meteorologia aeronáutica.

Situação segue sendo monitorada

As equipes seguem trabalhando na limpeza das áreas atingidas, no atendimento às famílias e no restabelecimento da energia elétrica. Enquanto isso, meteorologistas continuam analisando imagens de satélite, registros de radar e o padrão dos danos para confirmar oficialmente a ocorrência da microexplosão.

A população das áreas afetadas deve permanecer atenta às orientações da Defesa Civil, especialmente diante da possibilidade de novas instabilidades associadas à passagem da frente fria pelo Rio Grande do Sul.

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