Inverno sob El Niño acende alerta para enchentes no Sul do Brasil
MetSul prevê chuva acima da média, cheias de rios e aumento do risco de eventos extremos durante a estação
O inverno de 2026 começa oficialmente neste sábado, 21 de junho, às 5h25, e já chega acompanhado de um alerta importante para os moradores do Sul do Brasil. De acordo com análise da MetSul Meteorologia, a estação será marcada por volumes de chuva acima a muito acima da média histórica, aumentando significativamente o risco de enchentes, cheias de rios, temporais e outros eventos climáticos extremos.
A principal causa desse cenário é a atuação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. O evento climático teve seu início oficialmente declarado neste mês de junho e, segundo os principais modelos climáticos internacionais, possui alta probabilidade de atingir intensidade forte a extrema nos próximos meses, podendo inclusive se transformar em um Super El Niño.
Especialistas destacam que as projeções atuais indicam um fenômeno que poderá rivalizar ou até superar episódios históricos, como os registrados entre 1982 e 1983 e entre 1997 e 1998, considerados alguns dos mais intensos já observados.
Chuva aumenta gradualmente ao longo da estação
Segundo a MetSul, os efeitos do El Niño começarão a ser sentidos de forma mais evidente durante o inverno. Inicialmente, os maiores volumes de precipitação devem atingir Santa Catarina e o Paraná. Com o avanço da estação, porém, a influência do fenômeno se intensificará sobre o Rio Grande do Sul.
Embora julho já possa apresentar acumulados acima da média em diversas regiões gaúchas, especialmente na Metade Norte, a tendência é de aumento ainda maior das chuvas durante agosto e, principalmente, setembro.
É justamente nesse período que cresce a preocupação com a possibilidade de eventos de chuva excessiva e extrema, elevando consideravelmente o risco de enchentes e cheias de rios.
Rios do Rio Grande do Sul entram no radar
Entre as bacias hidrográficas que merecem maior atenção estão os rios Uruguai e Ibirapuitã, no Oeste do estado, além de importantes rios que têm suas nascentes na Metade Norte gaúcha, como Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí.
A combinação entre chuvas frequentes e volumes elevados pode provocar elevação expressiva dos níveis dos rios, aumentando o risco de enchentes de médio e até grande porte em diferentes regiões do estado.
O alerta é acompanhado com atenção por especialistas, especialmente diante das lembranças recentes dos eventos climáticos extremos que atingiram o Rio Grande do Sul nos últimos anos.
Temporais, granizo e vendavais também preocupam
Além do aumento das chuvas, a segunda metade do inverno deverá apresentar maior frequência de temporais severos.
Historicamente, episódios de El Niño favorecem a ocorrência de tempestades com granizo, rajadas intensas de vento e episódios de tempo severo em todo o Sul do Brasil. Em situações mais extremas, não está descartada a formação de tornados, principalmente entre o final do inverno e o início da primavera.
Outro fator que exige atenção é a temporada de ciclones extratropicais no Atlântico Sul, que atinge seu pico justamente durante o inverno.
Estudos apontam que a presença do El Niño pode potencializar os impactos desses sistemas sobre o Rio Grande do Sul. No último evento do fenômeno, em 2023, ciclones intensos provocaram ventos destrutivos e chuvas volumosas em diversas regiões gaúchas.
Primavera pode concentrar os maiores riscos
Embora o inverno já apresente elevado potencial para eventos extremos, as projeções indicam que o pico do El Niño ocorrerá durante a primavera e o início do verão.
O último trimestre de 2026 é apontado pelos meteorologistas como o período de maior risco para precipitações excessivas, enchentes e cheias de rios em toda a Região Sul.
Diante desse cenário, autoridades, produtores rurais e a população em geral devem acompanhar atentamente as atualizações meteorológicas ao longo dos próximos meses.